quinta-feira, 27 de março de 2008

O "manifesto scratchware" traduzido na Gamecultura

Tudo que é bom deve ser divulgado. E, de fato, no site da Gamecultura há muitas coisas boas. Ele, em si, deve ser uma passagem obrigatória para qualquer amante dos jogos.

Porém, em particular, chamou-me atenção o trabalho e a dedicação de um membro em específico da comunidade - Janos Biro. Num post recente ao site, ele se deu o trabalho de traduzir a primeira de três partes do "manifesto scratchware" do site Home of the Underdogs.

Para quem não sabe, o site dos "Underdogs" é um dos principais e primeiros sites de jogos que fugiram daquela balela de simplesmente trazer reviews, imagens, previews e walkthroughs de games comerciais. A princípio, e em uma análise desatenta, parece apenas um site de abandonwares. Mas, para quem só está entrando agora no "bonde" da cultura gamer, vale dizer que o site tem profundo interesse e dedicação em explorar formas criativas e não convencionais de se desenvolver jogos e apóia fortemente produtores independentes e jogos que não se limitam às conservadoras e repetitivas demandas de mercado.

É uma postura interessante, pois incentiva a parte do jogo que mais se aproxima da arte - o trabalho criativo, a "sacada", a inovação, a desestabilização de estruturas postas. E o "manifesto scratchware" traz bem fortemente essa postura. Isso, no verão (nosso inverno) do ano 2000! Para ler a versão traduzida da primeira parte, clique aqui.

Aguardo (aguardamos, Janos!) as próximas partes da tradução para postar aqui, também. ;)

3 comentários:

Leo disse...

A postura desse movimento é interessante, porém a indústria as vezes precisa de renovação para naõa estagnar, e absorve um pouco das idéias da cena independente.Talvez o texto esteja um pouco datado, já que hoje em dia a cena independente tem muito mais força do que na época (vide títulos lançados de forma totalmente independente, como Aquaria, Cave Story e N).Mas eu acho que é uma ideologia relevante para os desenvolvedores brasileiros, já que aqui existe reclamação demais e ação de menos.

Henrique Magnani disse...

Bem vindo ao Blog, Leo! Fico feliz pela disposição em ler e comentar... ;)

E bacana essa observação, cara: concordo com você, também acho que é mais ou menos por aí...

Ainda bem que o texto, como você bem aponta, já tem "ares" da época em que foi publicado - pois isso é, justamente, sinal de que tentativas e movimentos como esses (isolados ou organizados) serviram de algo.

E além de, como você disse, ser uma postura ideológica interessante, é também um registro da "historia política" dos games, algo em que muitos não prestariam atenção em pouco tempo. Tal qual existem anais de movimentos literários ou artísticos de modo geral, textos como esse podem ajudar até a compreender o movimento da cultura gamer...

Janos disse...

Fiquei feliz em saber que a tradução do Manifesto serviu de alguma coisa, o que me incentivou a traduzir a parte dois, ainda que com alguns lapsos.

Também concordo com o Leo e com o comentário do Henrique. Há poucas pessoas interessadas nessa área de "história dos jogos", mas eu sou um desses nerds malucos. Além disso o que mais me atraiu no manifesto é sua postura contra a dominação das grandes empresas. Eu também crio jogos e adorei o blog, é partir de agora o melhor blog que encontrei sobre o assunto. Parabéns pela escolha do tema da tese de mestrado, que inveja.

Abraços, adicionei o link do blog no meu blog de jogos: http://infoblarg.blogspot.com/